Panorama De Uma Vida Anormal

by Daniel Catarino

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  • Compact Disc (CD) + Digital Album

    Limited jewel case CD, 1st edition with two bonus tracks and a booklet with his lyrics.

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about

Both a mad scientist and an incurable romantic, Daniel Catarino is not an easy character to define musically. His first releases date back to 2006, and they focused mainly on long instrumental pieces, drones, space rock and psychedelic rock.

Hidden behind aliases such as Landfill, Long Desert Cowboy and Oceansea, Catarino was unstoppable during the latter years of the last decade, creating more and more paths for his creativity, and eventually forming the bands Uaninauei and Bicho do Mato.

A major milestone occurs in 2013 with the release of "Songs From The Attic Window", his first LP composed entirely of songs in English, released under the alias Oceansea which he dropped after a rumour about his death on Twitter. Nominated as Album Of The Month across several independent media resources, the single "Poetry for the Moon" enters the charts in German and Polish radios, reaching number 1 after a couple of weeks.

After releasing another EP in Portuguese, Daniel Catarino gave up using aliases due to a rumor about his death on Twitter and is now releasing his brand new and best album so far. "Songs From The Shed" is a charismatic singer-songwriter record, pinching the buns of Alternative Country/Rock, Folk and Britpop, in a journey from his native Alentejo to Nashville with a stop in London and Germany, where he will play his first international tour and release the album on October 2015.

In February 3 of 2017 came out with "Panorama De Uma Vida Anormal", a record that celebrates the 10 year landmark of his career. Released by SlowDriver Productions and Capote Música.

credits

released February 3, 2017

Music, lyrics, Vocals and All Instruments by Daniel Catarino.

with
Ana Gomes: Vocals in "Nesses Dias"
Sílvia Monteiro: Vocals in "Último Cigarro" and "Samba Manco".
Eddie Santos: Guitar in "Domingo de Chuva e Nevoeiro"

Recorded, produced and mixed by Daniel Catarino at Estúdio Manta, Évora, between June and November of 2016.
Mastered by Joel Figueiredo at Slowdriver Studios.
Artwork and photography by Daniel Catarino.

(C) Daniel Catarino SPA 2017

Edition by Capote Música e Slowdriver Productions
www.capotemusica.weebly.com
www.slowdriverproductions.com

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all rights reserved

about

SlowDriver Records Porto, Portugal

SlowDriver Records is an independent label from SlowDriver Productions that works with any music genres.
It was created in 2013 with the purpose of releasing bands and solo artists from all over the world, helping them with distribution and promotion by contacting networks and partners available worldwide. ... more

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Track Name: Banda Sonora Para Um Dia Anormal
Derreto agora os meus pulmões de barro
e este é o som do meu último cigarro

se aguentas a tempestade
inventas outra vontade
despertas a liberdade
e aguentas a tempestade

Se aguentas a tempestade
inventas outra vontade
despertas a liberdade
se aguentas a tempestade
inventas outra vontade
despertas a liberdade
inventas a tempestade

Cão mordido é cão queimado
é cão que ladra num miado lento
entre a chuva e a clepsidra equilibrada na balança
é cão de caça e cão de guarda
é cão que passa e caravana que ladra
embebido na saliva de um mosquito roedor
na bainha das calças
e na fronha mordida do amor
na cama seca, num corpo ferido
genérico na sua raça
cão queimado é cão mordido.

Ó cama de casal
quanta da tua areia
é manteiga sem sal
barrada na sereia
de uma praia sem areal.
Track Name: O Último Cigarro No Alto De São Bento
Dantes era crente
agora estou dormente
contente pelo que tenho
descrente pelo que vejo
não me aleijo às escuras
não tenho amarguras
os meus olhos são fissuras
nos teus azulejos
não quero o teu beijo
não quero a tua forma
não te quero de joelhos
a limpar o que entornas
não faças do que é
aquilo que pode ser
não me deixes a pé
não me faças correr
que eu não vou

não vou para casa
sem um grão na asa
sem o bico molhado
atestado no pecado
ligado ao passado
do presente que te dei
em vão desfolhei
pelas horas que passam
pelos cães que ladram
pelos dias que ficam
e os que não acabam
espera, passa-tempo
cata-vento
alto de são bento
ao relento é aquilo que tu vês

e agora amiúde
tenho falta de saúde
entre placas de amianto
e os pesos que levanto
tenho perna fraca
tenho mão de vaca
tenho a estaca do vampiro
suspiro pelo tiro
que te mata a fome
não és homem
não és nada
és um beijo de boca amargurada
que te come a namorada
que também não vale nada
e que dantes era crente
e agora está dormente
e descrente e doente e cansada.
Track Name: Samba Manco
Fogo
Grito fogo posto
Vou tapando o rosto
Tento respirar de dentro pra fora de mim

A vida não tem fim
A vida não tem

Nexo
Tudo é complexo
Não nos basta o sexo
Temos de tirar os três ao pobre coração

A vida é confusão
A vida não tem

Pena
De quem se condena
Sempre a mesma cena
Vejo os poderosos que vão cuspindo em mim

A vida tem um fim
A vida não tem

Fado
Queixo-me do estado
Sinto-me usado
Vejo abalar-me tudo tostão a tostão

A vida é uma canção
Que repete o refrão

Água
Tanta que me alaga
Bato em quem me afaga
Tento mergulhar de dentro pra fora do mar

A vida não tem par
A vida não tem

Meias
Calço más ideias
Grito coisas feias
Tento respirar do lado negro do pulmão

A vida é uma canção
Que repete o refrão
A vida é uma canção
Que repete o refrão.
Track Name: O Anel De Outra Vida
Pintavas sonhos com sorrisos de paixão
Mas carregavas o anel de outra vida
E eu sempre fui o refúgio, a guarida
De outra vida a que chamavas prisão

Tinhas nos olhos a permanente incerteza
E a beleza melancólica do olhar
Choravas muda ao te sentares à mesa
Dessa família a que te foste entregar

Eu sempre fui o ombro do teu choro
Segunda escolha do teu paladar
Sempre soube que te irias entregar
Viraste lixo quando já foste tesouro

Mas respeito que te sintas obrigada
A cuidar dessa família que criaste
Quando pudeste fugir não arriscaste
Com medo de fazer a escolha errada

Agora presa à infelicidade
Passas dias sem a chama de viver
Não aguentas a agonia de sofrer
Condenada a piorar com a idade.
Track Name: Nesses Dias
Bates à porta
dizes que o sonho é teu
dizes que o sonho é teu
e vai ser nosso

entras no quarto
no escuro eu vejo mal
no escuro eu vejo mal
mas sinto o cheiro

dizes que é hora
é hora de acordar
é hora de acordar
e dar um passo

dás-me um abraço
e um sorriso a brilhar
e um sorriso a brilhar
que vai ser meu e teu

nesses dias que eu choro e rio
faz de conta que é só o cio
a marinar no teu pitéu

nesses dias que eu rio e choro
vou-me embora mas não demoro
é só uma nuvem que passa no céu

sentas-te à mesa
e o vento a murmurar
e o vento a murmurar
que não te leva

danças com alma
e as mãos a esvoaçar
e as mãos a esvoaçar
no corpo todo

uivas à lua
e eu começo a ladrar
e eu começo a ladrar
à tua porta

deitas-te nua
e eu começo a dançar
e eu começo a dançar
à tua volta.
Track Name: Inácio e Joaquina
Inácio
coberto com pele de cordeiro
desliza entre as ovelhas descalças
calcando as ervas selvagens
e os minúsculos cadáveres de animais invisíveis
abre a caixa dos fusíveis
espreita entre as teias de aranha e o pó secular
aparentemente não há nada por reparar

Inácio inicia o caminho de volta
cabisbaixo e combalido
acaba por se atirar ao chão
a mão agarrada ao peito
o peito agarrado ao coração
a sua face em tons de cinza
emite expressões carrancudas
pautadas por algum desespero

Inácio mete a mão no bolso
só para se relembrar que está de pijama
foi assim que saltou da cama
alertado pela esposa que o quadro da luz tinha disparado
levantou-se ainda atordoado
cobriu-se com o casaco da mulher
e fez-se ao mato às escuras

com os chinelos enlameados a escorregar
a boca seca do cigarro e do digestivo
as mãos estaladas pelo frio e entaladas pela lenha
a ira dos céus regurgitava-lhe gotas de chuva na careca
e a água sabia-lhe a veneno

sua esposa, descansada na cama
nunca suspeitaria do sofrimento em que Inácio se havia afundado

a lama apoderara-se já de todo o seu corpo
e entre o formigueiro na barriga
o aperto no peito e a cabeça zonza
as larvas começavam agora a passear-lhe pela pele
enquanto Inácio forçava as mãos contra o coração

Joaquina acordou às 4 da manhã
e deu por falta do marido a seu lado
vestiu o robe e começou a chamar por ele
"Inácio? Inácio? Onde andas tu?"

Caminhou em direcção à caixa dos fusíveis
escorregou na lama e aterrou em cima do seu marido
o sangue da cabeça de Joaquina
escorria agora para a boca de Inácio
e foi assim que ele acordou
sufocando no sangue da sua esposa.
Track Name: Madrugada Fora
Começou de madrugada
tinha a janela fechada
veio o frio
o arrepio
de uma noite gelada

e acordei cheio de sede
do outro lado da parede
o meu vizinho bebe vinho
sozinho na cama de rede

grita com o filho e com a mulher
está-lhes quase a bater
o que é que vai acontecer

chega a polícia
que delícia
corre logo a notícia
as velhas saltam da cama
de pijama
é a milícia da malícia
reclamam
não consigo dormir
com esta barulheira
a gritar e a tossir
sem dormir a noite inteira

o pai de copo na mão
o garrafão no meio do chão
e a mulher sossegada

e o puto esconde a cara
o bófia não repara
na pancada levada marcada
ele não repara

anda cá anda cá
não te vais embora agora
com o vinho eu adivinho
onde levas, porque choras

anda cá anda cá
onde pensas tu que vais
se levares aos pares
as marcas parecem sinais

madrugada fora
nem sempre à mesma hora
o meu vizinho de cima
faz de conta que evapora

a mãe grita "anda cá
tenho mais que fazer
que andar à tua procura
mas que neura
a noite escura não me deixa ver
e eu tenho medo das loucuras
em que te vais meter
tu não tens cura"

do meu quarto
já estou farto
desta discussão
se o puto anda fugido
dou-lhe toda a razão
dona conceição

não vê que o rapaz
foi matar o tédio
você não deixa dormir
ninguém neste prédio

é o barulho na cozinha
a ladainha da vizinha
a campainha igual à minha
isto não tem remédio

quanto o puto regressa
a discussão começa
é sempre a mesma conversa
a repetir

anda cá anda cá
que o teu pai 'tá chateado
à tua espera no sofá
com o cinto arreado

anda cá, anda cá
toda a noite, todo o dia
o pai aos peidos no sofá
e a mãe nesta gritaria.
Track Name: Domingo De Chuva E Noveiro
É contigo
É contigo que hei-de
É contigo que hei-de estar
Em qualquer lugar

É sozinho
É sozinho que hei-de
É sozinho que hei-de ver
Onde vou morrer

É domingo
É domingo e não
É domingo e não se vê
Mas então porquê

É contigo
É contigo que hei-de
É contigo que hei-de ser
Tudo o que quiser

O vento corre por aí
Corre atrás de ti

É o sonho
É o sonho de ver
Sonho de te ver mudar
Sem nada a perder

É o corpo
É o corpo que hoje
É o corpo que hoje cai
Sem ter mãe ou pai

É no osso
É no osso duro
Osso duro de roer
Que hei-de renascer

É contigo
É contigo que hei-de
É contigo que hei-de estar
Em qualquer lugar.